SUPERAÇÃO

SUPERAÇÃO

Passando em uma rua próxima a minha casa avistei um pé de caju, já faz alguns meses, cheio de cajus. Uma das coisas boas de morar no interior é ter este privilégio. Todos os dias eu passava e olhava as mudanças, mas uma coisa não me agradou: observei que ele não crescia quase e suas folhas estavam feias, logo percebi que era a falta de chuva.
Mesmo assim sempre que passava, olhava e torcia para que ele desenvolvesse. Em uma tarde, graças a Deus, veio uma chuva muito forte, com ventos, trovões e raios. Que bom! Pois é uma das necessidades maiores que no momento estamos precisando.
Quando no outro dia passei não tinha nenhum caju, olhei para o chão e vi que todos estavam caídos: não aguentaram a tempestade. Fiquei chateada, mas feliz pela chuva.
Como é parte do caminho que faço para o trabalho, passo todos os dias no mesmo lugar, tenho o hábito de observar tudo, principalmente a natureza. Faz um mês que passei e observei que o pé de caju estava cheio de flores, algo que na primeira vez não aconteceu, flores lindas, pude contemplar alguns cajuzinhos renascendo, lembrei-me de duas partes da vida.
Uma historia interessante é da águia que para poder viver seus aproximadamente setenta anos precisa de ter muita resistência. Até os quarenta anos vive e consegue fugir de seus predadores, sendo que também consegue sobreviver pegando suas presas. Das unhas, do bico, de suas asas é que ela supera as adversidades, mas então chega a idade “quarenta anos“, seu bico longo não consegue pegar mais suas presas, suas unhas também longas curvam-se para baixo e suas penas já estão tão pesadas que seu voo pleno, magnífico, já não encanta.
Assim, a águia precisa escolher ficar como está e morrer a qualquer momento, ou ela vai para um lugar bem alto para fugir dos predadores e ali fica por cento e cinquenta dias. Sim, ela fica em alguma montanha bem alta e ali começa a sua metamorfose, a primeira começa com doloridas batidas do bico contra a rocha, assim ele se rompe e começa a surgir um novo bico, com o bico novo ela começa a arrancar as unhas para que nasçam novas, e, por último, com bico novo e unhas novas ela consegue arrancar suas penas envelhecidas e esperar renascer novas. Assim, após sua mudança, ela está pronta para voar e, das cinzas, surge uma águia toda pomposa, suntuosa, merecidamente.
Assim penso em outra parte de vida, “da nossa vida“. Passamos por momentos que por muitas vezes achamos que não vamos suportar, medos, angústias, tristezas, decepções, verdadeiras tempestades. Às vezes, alguém até chega a dizer que após a tempestade chega a bonança, sabemos disso, mas a espera é longa, desânimos, pensamos em tomar decisões precipitadas, muitas vezes pensamentos até ruins começam a tomar conta, a tempestade continua, até nossa fé parece que se foi, cobramos de Deus. Por quê? Assim, nossos caminhos vão acontecendo, começamos a sorrir em plena escuridão, o que antes vinha da alma.
Mas, ainda bem que muitos perseveram e agem como o pé de caju, a metamorfose da águia, deixamos que a tempestade se transforme em chuva para se renascer, que as partes que precisamos cortar são decisivas. Mas para o nosso bem, se quisermos viver mais e parar de nos arrastar, algo incrível começa a mudar e de repente vimos que tudo que antes de bom existiam estão no mesmo lugar, pessoas que nos amam, amigos que nos querem bem, o trabalho, os prazeres que antes não se enxergava estão lá. Saibam, meus queridos leitores, muitas vezes colocamos um venda nos olhos, não queremos enxergar o que é ruim, não deixamos a chuva levar, essa chuva é aquele a quem perguntamos, por quê? Sim, Deus.
Ele nunca nos deixa. Ele está nos momentos de alegria e nos momentos de tristezas. Ele não nos desampara; é Ele quem mostra o que é ruim, mas nossas vendas nos deixam cegos e, se não tomarmos cuidado, ficamos naquela mesmice, naquela lama, que vamos ao longo da nossa vida fazendo e não renascemos, nos acostumamos com o desnecessário.
Assim me lembro de uma música, É PRECISO SABER VIVER, composta por Roberto Carlos e Erasmo Carlos: “se o bem ou o mal existe você pode escolher...’
Acredito que certos momentos em nossas vidas servem de aprendizado, de superação de nós mesmos e assim quem sabe podemos passar dos quarenta, chegar aos setenta ou mais, ou deixarmos florescer aquilo que está guardado em nosso jardim oculto.
Superar sempre é um dilema que devemos viver no cotidiano. Enfim, eu escolho sobrelevar-me a tudo e se precisar a todos. E você?

04/07/2015  Edmary
O PREÇO DE UMA HERANÇA

Era uma noite qualquer, exceto pelos pensamentos que deixavam Marcos atordoado só de pensar que perderiam a casa, aliás, a fazenda que viera de todos de sua  geração.
Não acreditava que seu pai, depois de tantos anos de trabalho, deixando-os em uma vida estável, há dois anos morrera e agora tudo aquilo acabou em dívidas – um ano praticamente sem chuva acabou com a plantação, o meio de vida da família: café.
Marcos, o filho mais velho de três, só pensava no assunto daquela noite com sua mãe Ester – uma dona de casa muito humilde que de repente se viu ter que acabar com a criação dos filhos, estudos, roupas, alimentação, após a morte súbita de seu amado marido.
- Mãe, lembro-me que ainda temos tempo de reverter esse quadro, lembra-se do relógio de ouro e ponteiros de rubi que papai carregava sempre em seu bolso, uma herança de seus entes.
- Sim, filho, lembro-me. Como posso esquecer! Seu pai tinha tanto orgulho daquele relógio que bem no dia da sua morte, ainda em extremo sofrimento, pediu que eu guardasse para no caso de alguma dificuldade.
- Marcos, meu filho, em um momento de muita tristeza, ao separar a roupa para o velório de seu pai, eu coloquei no paletó que ele foi enterrado.
- Mãe, não acredito no que fez! Nem nos consultou ao tomar tal decisão e nem pensou em nós, que um dia poderíamos precisar.
- Perdoe-me, filho.
Ester amava seu finado marido, mesmo três anos transcorrido de sua morte.
Alguns dias depois desta conversa chegaram dois oficiais de justiça e conversaram com a família, que Ester desta vez colocou todos a par: Marcos, Marta e Mauricio.
- Dona Ester, nossa vinda aqui infelizmente não é para trazer boas notícias. Vocês têm sessenta dias para arrumar outro lugar para morar.
Marcos no mesmo momento saiu da sala e foi correr entre o resto de pés de café. Ali chorou, perdera tudo, justo agora que estava no último ano de Agronomia. Chorou, sentiu saudades de seu pai, ficou até tarde da noite.
Voltou para casa, todos o esperavam preocupados, sua mãe chorava sentindo-se culpada.
Marcos olhou para os três e disse boa noite; foi dormir. Dona Ester foi dormir aliviada, pois pensara ter acontecido algo ruim com seu filho.
Logo pela manhã Marcos conversou com sua mãe:
- Mãe, vou ao cemitério e ver a possibilidade de exumar o corpo de papai e pegar o relógio, ver quanto vale e pagar todas as dívidas e o que sobrar dará para guardar para nossos estudos. Outra parte para reerguer nossa vida financeira.
Sua mãe, uma mulher muito religiosa e também supersticiosa, achou que aquela atitude era errada e disse:
- Filho, não acho isso certo, afinal, eu não quis ficar com o relógio por ser uma herança de seu pai e sei o quanto ele estimava, você estará de certa forma tirando um bem dele.
- Não acredito no absurdo que estou ouvindo! Se é herança, então teria que ter ficado conosco. Mãe, a senhora prefere perder tudo a tentar recuperar nossa dignidade, nosso patrimônio? Pense bem, mamãe! Vou ao cemitério.
Dona Ester foi ao quarto chorar, abriu o armário onde ficavam as roupas de seu finado esposo, Roberto. Ficou horas passando a mão e chorando. Pediu perdão ao marido por achar a atitude de seu filho Marcos errada.
Marcos no final da tarde chegou em casa com bom ânimo e chamou a todos para uma reunião:
- Trouxe uma boa notícia a todos. Conversei com o senhor Osvaldo no cemitério, ele disse que basta a mamãe ir até lá e assinar alguns papeis de autorização, que eles exumaram o corpo de papai.
Silêncio. Continuou Marcos:
- Mãe, não expliquei o motivo, pois tive medo da cidade ficar sabendo. Como depois de dois anos pode-se fazer a exumação, essa foi a explicação que dei.
- Filho, e no caso do corpo ainda não estar decomposto?
- Mãe, neste caso eles fecham o caixão e pedem para esperar mais um pouco. Fique tranquila que é o tempo suficiente para eu pegar o relógio.
- Não acredito no que estou ouvindo, Marcos, meu filho, não tenho condições de estar lá, fazer tamanha blasfêmia!
- Mãe, não estou fazendo nada, o papai mesmo disse para que ficássemos com o relógio. Sabe o quanto no momento estamos precisando.
- Não posso fazer isso, Marcos.
Um mês depois e nada havia sido resolvido.
Marcos, revoltado, já não conversava com a mãe, pensava em alguma maneira de salvar a fazenda. Sendo o filho mais velho, achava-se na obrigação disso. Quando seus irmãos perguntavam o que podiam fazer, como eram menores, Marco sempre tentava confortá-los dizendo que tudo daria certo.
Certo dia dona Ester foi novamente ao quarto mexer nos pertences do marido. Tirou toda roupa como de costume, só que desta vez seria diferente: doaria para um asilo, queria diminuir o sofrimento que aquelas roupas lhe traziam,
Tirou todos os paletós e de repente olhou um que não deveria estar ali. Ficou paralisada, não conseguia sequer respirar normalmente, entrou em choque, sabia que ele nunca tivera paletós iguais e tinha certeza que era aquele que colocara para ele ser enterrado. Estava no caixão o paletó.
Foi recobrando a respiração, conseguindo se mover novamente, conseguiu tocar o paletó, e percebeu que tinha um pouco de terra, ficou apavorada.
Horas se passaram até que Dona Ester resolveu pegar o paletó na mão. Mexeu nele, percebeu mesmo que era terra, então respirou fundo, seu coração literalmente parecia que iria sair pela boca, mãos trêmulas, enfim, enfiou a mão no bolso, o relógio estava lá, junto a ele uma carta: novamente entrou em choque e deu um grito.
Todos da casa ouviram e correram até o quarto, que estava trancado. Marcos gritava junto com os irmãos:
- Mamãe, mamãe, abra a porta, abra, por favor!
- Está tudo bem?
E nenhuma resposta. Depois de muito gritarem, chamaram o caseiro e juntos arrombaram a porta.
Encontraram-na no chão. Lágrimas rolavam em seu rosto lendo um papel. Marcos tirou-o das mãos dela para ver porque ela estava daquele jeito.
‘Querida Ester, meu primeiro, único e último amor, por favor pegue este relógio, faça o que nosso filho está pedindo, não desejo que percam a fazenda. Apesar do relógio ser uma herança, o que deixei é muito maior que o relógio, minha maior herança é você, Ester, minha amada esposa, e meus filhos Marcos, Marta e Mauricio. Desejo, mesmo não estando com você, que eles acabem os estudos. Salve a nossa fazenda, por favor. Dê esse relógio ao Marcos e ele saberá o que fazer.
Marcos chorou, soluçou, abraçou sua mãe e perguntou como ela conseguira sozinha ir atrás da exumação do corpo de seu pai.
- Eu não fui filho, ele mandou o paletó para mim.
No dia seguinte Marcos foi até o cemitério e foi confirmado que o corpo não fora exumado.
Conversou com sua mãe, disse se ela não estava enganada quanto ao paletó. Ela lhe explicou que não e ele também confirmou um pouco de terra e poeira, foi quando dona Ester pediu a Marcos que a levasse ao cemitério: queria que exumassem o corpo.
Dias depois senhor Osvaldo ligou e disse que aquele seria o dia da exumação. Filhos e mãe foram ao cemitério e constataram que o corpo já estava decomposto – apenas ossos, e que o paletó não estava com ele, somente a aliança do casamento.
Dona Ester saiu de lá e disse:
- Filho, faça o que seu pai pediu.
O valor do relógio era altíssimo, fora feito um só para a família do senhor Roberto, teve que ser levado para São Paulo, uma cidade de porte maior, onde havia relojoarias que pudessem avaliar.
Com o dinheiro do relógio recuperaram a fazenda pagando a dívida, e ainda guardaram um bom dinheiro para os estudos dos três irmãos.
Marcos se formou em Agronomia, Marta no Magistério e Mauricio em Advocacia. Dona Ester esperou seus filhos se formarem, a fazenda ser totalmente tomada por uma boa safra de café e, após quatro anos, morreu para encontrar-se com Roberto.
Oitenta anos já se passaram e a fazenda está sendo passada de geração em geração: netos e bisnetos. E hoje, em homenagem aos precursores deste patrimônio, chama-se: FAZENDA ROBERTO E ESTER.
Nunca se esqueceram da luta de Marcos para manter a fazenda; também nunca se esqueceram do valor maior que fora ensinado pelo avô, bisavô – sempre a maior herança deve ser a família.
Aqui acaba um conto, que conto com muito gosto de contar.

25/04/2015 Edmary. 

GRATIDÃO A AMÉLIA

Estou a pensar há alguns dias de como ainda tenho boas nostalgias a serem contadas, para mim isso é um prazer escrever de pessoas que marcaram a minha vida e a de tantos outros.
Assim, veio-me a grande vontade de homenagear uma mulher amável, de um nome que lembra até uma música: Amélia – “Amélia que era mulher de verdade, Amélia não tinha menor vaidade”. Sim, minha tia-avó Amélia, é sobre ela que escrevo o quanto representou na vidas de muitas pessoas.
Pequenina veio da Itália, de uma cidade chamada Gênova, com seus pais: meus nonos, Eurico e Olga, suas irmãs Maria e Elizabete – minha avó a quem sempre me refiro de Coração Ruivo. Fez-se crescer, aprendendo a costurar para ajudar nas finanças da casa. Sempre com grande bondade aprendeu a fazer de tudo um pouco.
Casou-se com Antônio e assim começou a construir uma vida. Teve seis filhos: Ismael, Marlene, Eurico, Marli, Nelson e Marisa. Mesmo com os filhos, com as obrigações de esposa, jamais desistiu de outros. Essa mulher nunca teve limites: cuidou dos filhos, de sua querida mãe, de seu esposo. Um exemplo foi sobre minha avó: sempre que pode a ajudou, pois das irmãs era a que mais necessitava.
Há poucos dias minha mãe contou-me algumas passagens da vida dela na vida de Amélia. Como madrinha de minha mãe procurava fazer de tudo para agradar e sempre que costurava um vestido para uma das filhas, fazia um de cor diferente para minha mãe. Minha mãe a amava muito, sofreu muito com a perda de sua madrinha que considerava uma segunda mãe.
Lembro-me, em minha infância, de quando ia passear em sua casa e, meu tio avô Toninho, nome carinhoso por todos, tinha um quartinho de ferramentas e permitia que brincássemos lá. Para mim era festa, alegria de criança.
Quando eu entrava na casa de minha tia eu sentia cheiro de amor! Aí se pergunta se amor tem cheiro... Sim, para mim tinha. Era algo diferente, a alegria dela nos contagiava. Colocava o avental e já corria fazer uma bela macarronada, aquele queijo ralado na hora. Lembro-me dos sorrisos, de como ali existia amor entre filhos, o cheiro era aconchegante; abraços: confesso que não tinha vontade de ir embora.
Mulher linda, carinhosa, que nos abraçava, nos beijava, com tanta simplicidade que só Amelia teria. Nunca vi uma tristeza, quando conversava sobre algum problema, sempre tinha uma palavra de conforto e de fé em Deus, que deveríamos de ter.
Tia, quanta saudade você deixou, quantos presentes deixou, a união da família; teve vinte netos e amou cada um, cumpriu seu papel, nunca mostrou cansaço, cada vez que nos via tinha uma pequena lembrança para nos dar e essas lembranças não tem preço.
Há pouco tempo tenho conversado com um de seus netos, Douglas, e pude de certa forma vivenciar o seu amor novamente com quarenta e oito anos. As lembranças aumentaram. O amor e a saudade dele pela avó... Tudo demonstra que nada do que escrevi aqui não seja real.
Ele tem uma herança dela: uma máquina de costurar que ele sempre pediu a ela antes dela partir. Acredito que nunca será vendida, talvez passada para a próxima geração.
Hoje tenho gratidão a Deus que permitiu que minha tia-avó Amélia fizesse parte de nossas vidas, depois a ela mesma por ter trazido tanto amor, por ter deixado tanto amor. Deixou uma herança que não tem preço: humildade, caráter, simplicidade. Deixou muitas coisas boas guardadas em nossa caixinha do pensamento, e sempre que abrir esta caixinha quero encontrá-la para poder tentar ser um tiquinho da mulher Amélia. 

08/02/2015 Edmary

A ARTE DE AMAR

Ultimamente venho cobrando-me a escrever, não sei por qual razão, mas escrevo só quando tenho inspiração, são coisas vinda do coração, assim como disseram ‘você é romântica’, e como sou! Meus pensamentos chegam, às vezes, ao extremo do romantismo.
Assim veio a reflexão que tantos fazem do final de ano. Pego-me lembrando e revivendo alguns momentos: meu casamento – hoje posso dizer bem o que é cumplicidade, companheirismo, amizade de marido, não que tudo é mar de rosas, mas me sinto realizada.
Meu trabalho: entre os prós e os contras eu fico com toda a parte melhor que há: as crianças. Para quem não sabe, sou funcionária pública e trabalho em dois locais, sou monitora concursada, completando às oitos horas do dia no maternal; voltando às crianças: assim como Jesus disse ‘vem a mim as criancinhas’, porque estas são verdadeiras, se gostam demonstram com  todo carinho, mas se for o contrário, não fazem questão de dizer, e doa a quem doer. São exemplos de amor, carinho, etc.
Minha vida familiar, não reclamo e nem devo, tenho pais maravilhosos, uma irmã: minha melhor amiga; tenho duas sobrinhas que amo muito. Posso escrever que sou uma pessoa abençoada por Deus.
Este ano venci duas cirurgias, sendo uma mais complexa, mas creio que estou curada, outra mais simples – mas cirurgia é sempre cirurgia, difícil.
Sei que todos fazem uma retrospectiva de vida no final do ano, não vou ser uma exceção, assim veem em minha memória também as amizades: posso agradecer pelas poucas amizades que ao longo do ano construí, é complicado escrever sobre este tema, abre a porta para sentimentos: decepções de quem julgávamos ser nossos amigos e descobrimos que são amigos de conveniência; existiram amigos de observatório, aquele que só te observa para poder apontar só os defeitos, porque qualidades os  olhos são cegos... Assim foi o ano: existem os curiosos que só querem saber como você está, mas não ficam alegres com sua alegria, com suas conquistas.
Mas às poucas amizades posso até escrever um trecho da música de Renato Teixeira chamada ‘A amizade sincera’: “A amizade sincera é um santo remédio / É um abrigo seguro / (...) / Por isso se for preciso / Conte comigo, amigo disponha”. Obrigada, amigos que conheci este ano, foi um privilégio conhecê-los e espero sempre ser digna de vossa amizade.
Agora, o principal de tudo, nada seria possível em minha vida se Deus não estivesse presente em cada momento, seja de tristeza, de alegria, de decepções, de lágrimas, de conquistas, de sentir sua presença, meu Criador. É inexplicável, tu és Onipotente, Universal, a Ti agradeço por estas linhas, pela inspiração, mas principalmente pelo amor que sinto pelo próximo e que eu possa sempre ser digna do seu amor.
Por isso mais um trecho de música que me faz lembrar do amor, do amor ao próximo, da vida: “(...) A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não / (...) E eu desejo amar todos que eu cruzar pelo meu caminho” – música ‘Brincar de viver’, interpretada na voz de Maria Bethânia.   


            23/12/2014 Edmary

FESTA PARA O SEU VALDOMIRO

           
          Poderia ser um dia como tantos outros. Parecia ser uma madrugada comum. Todos acordando, uns se preparando para tirar o leite, outros se preparando para o café da manhã, outros para se encaminhar à escola. Mas alguma coisa acontecia de diferente: uma movimentação estranha, sons diferentes vindos do canavial.
            Seu Zé notou que não havia vento e, pela hora, cinco da manhã, ainda dava para enxergar as últimas estrelas no firmamento. A claridade do dia ainda não havia despontado. Foi até ao curral das vacas e acionou o botão do seu radinho, mas naquele dia não funcionou. Começou a se preparar e, com suas mãos com calos da enxada, puxava o leite.
            Mas seu Zé continuava a escutar o forte e diferente barulho vindo do canavial que, com os primeiros raios da manhã, começou a observar que dançavam e dançavam sem parar, todos na mesma direção, como um balé ordenado. Tudo aquilo o assustava. Olhava outros lugares do sítio e nenhuma árvore se mexia como o canavial.
            Passado meia hora, seu Chico gritava na porteira:
            - Seu Zé, o seu Zé!
            - Entre, seu Chico.
            Seu Chico abriu a porteira mais que depressa, dizendo logo:
         - Seu Zé, que estranho, nem vento vi por estas bandas, mas o canavial lá de casa está balançando sem parar, é de assustar! Nem deixei as crianças se levantarem...
          - Seu Chico, e não é que aqui está a mesma coisa?!
          Às seis horas parou tudo. Voltou tudo ao normal. Seu Zé ficou tranquilo. E pensou coisa à toa: ‘Isso não deve ser nada, vou cuidar da ração’. E assim caminhou até o paiol.
          Dona Rosa chamou o marido e comentou que ainda estava assustada com o fato, que não ia mandar Carlos e Júlia para a escola. Seu Zé apenas disse:
            - Se quem sabe, Rosa.
          Perto das sete horas tudo recomeçou: o canavial dançando, mas com mais força. Existia um místico de dança e luta.
          Toda vizinhança fechou as casas assustadas, ventos fortes nem pensar! Mas não era normal aquilo. Parecia que pessoas gritavam no meio do barulho, isso se passou o dia todo alternando de hora em hora. Já eram vinte e três horas e cada vez aumentava mais aquele som irreconhecível, talvez triste, talvez de choro, talvez de desespero, e até mesmo poderia ser de alegria, talvez.
           A polícia muito longe.
           Na casa do seu Chico, apavorados, ninguém ainda havia se deitado:
          - Pai, é o fim do mundo! A gente vai morrer!
          Dona Geni, ajoelhada, chorava e pedia perdão – precisava de momento de oração.
          Dona Rosa tremia; seus filhos debaixo da mesa. O som entrava pelo telhado e tudo parecia que ia cair. Seu Zé enfiou as vacas no paiol, as galinhas dentro da casa e os outros vizinhos todos igualmente.    
          Seu Zé pensou no vizinho, seu Valdomiro. Homem sozinho que, pelos acontecimentos daquele dia, devia estar desesperado. À meia noite tudo parou novamente e, como estava acontecendo hora sim, hora não, ninguém acreditava mais no silêncio.
          Nas próximas horas nada aconteceu. Às cinco da manhã, a rotina começou: as pessoas dirigiram-se aos seus afazeres. O dia amanheceu e, como de costume, lá pelas dez horas se reuniram na vendinha da estrada, e começaram a comentar sobre o terror do dia anterior.    
          Seu Zé notou que seu Valdomiro não estava entre os vizinhos, como de costume. Chamou o seu Chico e rumaram para a casa de seu Valdomiro.
            Gritaram na porteira por seu Valdomiro e nada. Chamaram outras vezes e nada. Acabaram entrando. Viram o seu Valdomiro ainda deitado e confidenciaram que, possivelmente, com os seus oitenta e cinco anos, nada escutara. Mas na casa de seu Valdomiro havia sobre a mesa muitos pratos, muita comida: uma verdadeira festa.
            - Se sente bem, seu Valdomiro? Por que ainda não se levantou? – indagou seu Zé.
            - Hoje é um dia especial, seu Zé...
            - É o seu aniversário, seu Valdomiro?
            - Não, seu Zé.
            - Mas está uma comilança só na cozinha, seu Valdomiro. Muitos pratos sujos...
            Seu Valdomiro apenas ouvia...
            - Ficamos assustados ontem. Os canaviais dos arredores todos assustados. Ninguém saiu de casa, mas aqui parece que até teve festa!
            Seu Valdomiro, homem humilde, após um breve silêncio:
            - Teve uma festa sim, homem, toda a parentaiada veio aqui...
            - Mas um dia o senhor me disse que não restou ninguém da sua família, que todos estavam debaixo da terra...
            - Pois é – retruca seu Valdomiro – e estavam. Mas ontem vieram aqui me visitar. Foram todos enterrados aqui em volta do sítio... Vieram me convidar para morar junto com eles... Só estava esperando alguém chegar aqui.
            O silêncio tomou conta do lugar. A fala do seu Valdomiro era pausada, como se o cansaço dos anos pesasse mais naquele momento. E continuou:
            - Seu Zé, seu Chico, quero ser enterrado junto com eles, junto com meus avós, junto com meus pais, minha muié, meus fios e meus netos...
            Seu Zé, atordoado com o que estava ouvindo, retruca:
          - Deixa disso, homem, o senhor ainda vai viver muito tempo! Tudo o que o senhor viu não passou de um sonho.
            E seu Valdomiro retruca no mesmo instante:
            - Que sonho lindo de viver! – expira para o sono eterno.
            Enterram o seu Valdomiro. Todos tristes, mas com a idade era normal.
           Cinco anos se passaram e o seu Zé alugou o terreno do canavial para uma fábrica. E, numa das atividades da fábrica, cavando descobriram um cemitério e pelo jeito pertencente a uma única família.

        Seu Zé, inconformado, murmurou: ‘Oh, amigo Valdomiro, me perdoe, pois era aqui que deverias ser seu derradeiro lugar, como fez em seu último pedido’.

          26/11/2014 - Edmary

TEMPO DE DESPERTAR

Escrever sobre o amor é tão bom. Existem tantos tipos de amor, amores verdadeiros, amores fraternos, amor incondicional, amor de Deus, amor de interesse, amor, amor, amor...
Isso me faz pensar no quanto as pessoas deixam de ser quem eram para viver um grande amor, só que ninguém muda, assim acabam acordando para a realidade e percebem que nunca foram amados, simplesmente idealizaram aquele amor.
Há ainda pessoas que se submetem a se denegrir, se machucar, vivem sofrendo decepções umas atrás de outras para acharem um amor.
Assim vou pensando em uma mulher chamada Maria Clara, estatura mediana, morena chara, olhos castanhos claros, uma mulher de uma família simples. Enquanto estudava o Ensino Médio, Maria já ouvia as aventuras amorosas de suas amigas, mas não era o que procurava. Não era uma santa, mas também não gostava de sair com um aqui, outro ali, tinha dentro de si uma vontade de quando fosse para se entregar a alguém, seria por amor e não simplesmente para viver uma experiência.
Assim se formou, arrumou um emprego como auxiliar em um escritório, pois sonhava com a faculdade de administração, ali de tudo fez um pouco.
Começou a fazer a faculdade aos vinte e dois anos, quando conseguiu fazer uma poupança para poder bancar seus estudos. Já estava no segundo ano quando conheceu Carlos, um comerciante na área de calçados.
Para Maria Clara foi amor a primeira vista. Carlos, por sua vez, não notou que estava sendo olhado; conversando com o dono do escritório notou aquela mulher e perguntou:
- Senhor Paulo, quem é essa moça que está sentada naquela mesa?
- Carlos, é Maria, uma excelente funcionária que está conosco há três anos.
- Ela é casada?
- Não, Carlos, mas esqueça. É uma moça muito séria.
- Desculpe, senhor Paulo, só fiz uma pergunta.
- Mesmo porque, Paulo, sua vida de boêmio e gandaia não combinariam nada com um namoro sério.
- O senhor tem razão, mas sei que quando encontrar a pessoa certa, tudo isso vai acabar. Vou indo... Por favor, senhor Paulo, examine aqueles papeis que trouxe e me dê um parecer o mais rápido possível.
- Ok, deixa comigo, Carlos, qualquer coisa te ligo o mais breve.
Quinze dias se passaram e o senhor Paulo ligou para Carlos:
- Carlos, por favor, você poderia vir até o escritório, precisamos conversar sobre demissão que você me trouxe.
- Hoje estou cheio de trabalho, senhor Paulo, amanhã estaria bom para o senhor?
- Ok, estarei esperando. Ficarei no escritório o dia todo.    
No outro dia Carlos estava no escritório logo pela amanhã para conversar com senhor Paulo e logo notou Maria, trocaram olhares, um sorriso de Maria Clara meio tímido, mas Carlos realmente mexeu com ela.
O tempo foi passando e mais vezes Carlos foi ao local de trabalho dela, com o tempo começou a mandar flores, chocolates, alguns mimos e ela foi se encantando com tudo.
Um dia o senhor Paulo falou com Maria Clara sobre o jeito de Carlos, mas ela já estava tão apaixonada e acreditou em uma mudança de hábito. Carlos convidou-a para sair, ela aceitou e assim a pediu em namoro.
Com o tempo Carlos foi cada vez mais ganhando a confiança de Maria, mostrando que estava apaixonado também e que não tinha mais vontade de ter a vida de antes, queria construir uma vida com ela.
Seis meses depois Carlos convidou Maria para morar juntos e ela aceitou. Carlos pediu para que Maria saísse da faculdade, queria ter mais tempo com ela, mais uma vez ela aceitou sem pensar.
Carlos, após três anos, começou a demonstrar desmotivação e conversou com Maria Clara que precisava tirar um tempo para ele, sair com os amigos, fazer algo diferente para não ficar com o casamento na mesmice.
Mais uma vez Maria clara aceitou, achando que ele estava certo. Certa noite veio com a camisa manchada de batom e Maria Clara ficou muito triste, chorou e perguntou por que ele estava com a camisa manchada. Carlos disse que no barzinho que ele foi tinha algumas funcionárias juntos com os maridos e ao cumprimentar talvez manchou, jurou que nada havia acontecido, Maria clara aliviou-se e ficou bem.
Tudo isso durou dois anos. Completando então cinco anos que estavam juntos, Maria Clara foi ao médico e ao chegar em casa encontrou Carlos com um semblante sério, mas Maria Clara estava com um sorriso que nunca tinha tido antes, abraçou Carlos e disse:
- Preciso falar com você, meu amor.
- Eu também, Clara.
- Diga então você primeiro.
- Clara, eu estou indo embora, quero ter minha vida de volta, eu tentei, mas não consegui, já fiz minhas malas.
- Mas Carlos, deixe eu te contar uma surpresa.
- Olha, Clara, não quero nem saber. Acabou e você precisa aceitar.
- Mas Carlos...
- Adeus, Clara.
Aquela noite Clara chorou sem parar, seu grande amor estava indo embora e nem quis saber o que queria dizer.
Tudo isso hoje passava na cabeça de Maria Clara, ela recebeu uma carta de Carlos querendo falar com ela, o estranho que o local era em um hospital. Nem sabia o que fazer, cinco anos se passaram depois que ele foi embora, nunca mais ouviu falar dele e agora ele do nada mandou uma carta.
Chegou ao hospital com muita dificuldade e deu o nome inteiro dele, ficou sabendo que estava em uma CTI, já sabiam do caso dela e autorizaram.
Chegou e viu uma pessoa totalmente debilitada, nem sabia o que fazer, foi chegando devagar.
- Olá, Clara, como está?
- Estou muito bem, só não entendo porque depois de tanto tempo resolveu me ver e ainda em um local assim.
- Bem, Clara, já deu para perceber que não estou bem. Queria poder me redimir com você, te pedir desculpas, por tudo que fiz você passar.
- Não acha um pouco tarde para isso?
- Acho que sim, mas mesmo assim precisava. As noitadas, bebidas, gandaias, mulheres me trouxeram aqui, aliás, pensando assim, fui eu mesmo que fiz esta escolha.
- Carlos, eu vim aqui para poder te ver novamente e ver o que sentiria. Vivi tudo de novo, nossos cinco anos juntos, quão tola fui ao acreditar em tudo que me dizia. Eu te amei muito, Carlos, e até hoje de manhã ainda acreditava nisso, não consegui me envolver com ninguém, sempre havia seu fantasma.
- Clara?
- Ainda não acabei. Naquela noite em que me deixou eu queria te dizer algo e você não deixou, se lembra?
- Sim, me lembro, o que era?
- Agora se importa em saber? Bem, deve saber sim, não por você, mas por ele.
- Por ele? Do que fala?
- Do seu filho, Carlos, naquela noite queria te dizer que estava grávida de dois meses.
- Oh! Meu Deus, o que fiz da minha vida!
Carlos neste momento chorou muito, mas Maria Clara continuou.
- Não se preocupe, ele esta sendo muito bem criado, meus pais me ajudaram, continuei minha faculdade e hoje formada tenho um emprego muito melhor, tenho meu próprio apartamento e Eduardo é uma criança linda e doce.
- Clara, como posso consertar tudo isso?
- Não pode, agora é tarde, só quero que você não me chame mais, que você se recupere, você tem muitos amigos, os mesmos com quem me trocou, eles vão cuidar de você.
- Clara, você sabe que tenho posses.
- Não interessa nada seu, aliás, se quiser fazer algo, faça pelo nosso filho, ele me pergunta muito por que ele não tem pai. Não quero que ele sofra como eu, que ele estude e seja alguém, que ele valorize esse alguém e não faça e não viva como o pai.  Sinto muito por você estar assim, Carlos, mas hoje não posso fazer nada por você.
- Clara, vou pedir para meu advogado te procurar, quero registrar o menino no meu nome, Eduardo, né? Ele será meu herdeiro. Só preciso do seu perdão.
- Está perdoado e espero que se recupere, nunca deixe de acreditar que para Deus nada é impossível, pois tudo que sou hoje devo a Ele. Bem, vou indo, Carlos, espero seu advogado, mas deixo claro que não quero nada para mim.
- Tudo bem, Clara, espero que seja feliz.
Maria Clara saiu da sala, foi direto para a rua, ao chegar fora, chorou amargamente, não desejava esse fim para aquele que um dia foi seu grande amor.
Andando na rua começou a se sentir livre, todo o peso que carregara anos foi embora, estava pronta para viver de novo, seu filho teria um pai.
Passaram seis meses e seu filho estava registrado com o sobrenome do pai e ficou sendo único herdeiro de Carlos. Este sobreviveu a cirrose hepática, mas ficou com sequelas, não podendo colocar nenhuma gota de álcool na boca. Nunca mais procurou Maria Clara, mesmo descobrindo que perdeu um grande amor e uma grande mulher.
O tempo foi passando e Maria Clara vivendo sua vida, abriu seu coração para outra pessoa, sua vida está mais plena e descobriu algo: que seu passado serviu de experiência, agradecendo sempre pela vida de Eduardo.
Assim é a vida: cheia de surpresas boas e ruins, mas nunca devemos deixar de acreditar que o amor existe, está a todo momento na nossa frente; e nunca deixar que alguém tire nossa identidade.
Ame e seja você mesmo, quem te amar vai te amar pelo que é e não pelo que esta pessoa quer, se isso acontecer, será feliz.
Só não deixe de amar.


03/10/2014 - Edmary

PRESENTE DE DEUS

Hoje, ao passar pelas estradas onde busco crianças em sítios para estudar, pude deparar com uma visão linda que deu até vontade de pedir ao motorista para parar o ônibus, mas estávamos em horário de trabalho.
Posso dizer, ou melhor, escrever que são presentes de Deus certas fotografias que gravo em minha mente. Hoje foram os cafezais florescendo, carregados de flores brancas. Ao chover eles florescem com uma delicadeza de dar uma emoção sem tamanho, já não é segredo que sou amante de flores.
Agora, além do aroma que o café proporciona às minhas narinas, proporciona um prazer em ver suas flores também.
Como Deus é perfeito, bondoso, nos mostra em certos momentos sua presença de uma forma imensurável. Com detalhes que somente Ele sabe. É impossível não agradecer a sua perfeição. Precisávamos tanto de chuva, é impossível viver sem água; imagine a natureza em si: animais, vegetação, etc., então nosso Criador em sua plenitude ouviu a oração de tantos.
A maioria dos sitiantes vive das plantações. Poucos possuem sítios, chácaras, fazendas somente por lazer. Deus ouviu, a chuva veio e com ela a primavera desabrochou, tocando cada cantinho; não dá para ficar sem perceber, mesmos nas cidades pode se ver as árvores florescendo; eu que tenho flores em casa fico namorando cada vez que uma se abre.
Enfim, mais uma vez agradeço a Deus pelos presentes que meus olhos podem contemplar, pela chuva que mandou, por poder presenciar tantas maravilhas.  Infelizmente, nem tudo são flores, existem cidades em nosso país que acabam inundadas e ocasionando até morte, mas se trata do mal que o próprio homem semeia, jogando restos de comidas nas ruas, lixos; trata-se também de educação ambiental que não implantam nas escolas, não esquecendo também que tudo isso envolve o governo.
Está chegando o momento de votar, quem sabe consigamos acertar desta vez quem escolhemos para governar o país, pois depois não poderemos lamentar.
Não quero terminar as minhas visões deslumbrantes falando de política, quero agora é tomar um belo café, e lembrar-me de suas flores brancas delicadas, simplesmente lindas.


            29/09/2014 - Edmary